segunda-feira, 20 de julho de 2009

Omelete Marginal é meu ovo!!


Não me canso de repetir essa frase. E quase ninguém entende.
Vou explicar: Omelete Marginal foi um prêmio criado ano passado, por um site chamado Intervenções Urbanas (IU), para escolher os “melhores na cena artística” do ES.
A escolha até começou de forma democrática, com formulários onde os internautas escolhiam seus favoritos nas mais diversas áreas. Houve inclusive uma tentativa minha, em colocar o TERRITÓRIO DO ROCK na disputa pelo “melhor programa de rádio”. Com a ajuda de André Daher e KK Faé, fizemos uma boa divulgação entre os ouvintes. Mas pela dificuldade de se encontrar o tal formulário (ou por falta de interesse mesmo, ainda não sei direito), o número de votos não foi o suficiente para participarem da premiação.

E ela aconteceu, cheia de badalações, como se fosse um “Prêmio Multishow” capixaba. E se você quisesse ir, seu pobre? Claro que não poderia!! Era restrito a convidados (leia-se figurinhas carimbadas da Rua da Lama).
Como parte do pacote, um “megaconcerto” na Praça do Papa. Tudo muito moderno, muito cult, muito conceitual. Mas um público de duas mil pessoas onde cabem trinta mil, pode ser considerado fracasso, não? E olha que era de graça, hein!!

Lembra do Dia D? Era um festival realizado na mesma Praça do Papa, que reunia desde a mais podre banda underground, até algumas figurinhas da nossa “panela de barro”. E, ao contrário do Omelete Marginal, o objetivo não era segregar e sim, unir todas as formas de expressão artístico-musical no estado. Deu certo por alguns anos, chegando até a ter projeção nacional. Poderia ter chegado ao nível de um Abril Pro Rock (de Recife) ou um Porão do Rock (de Brasília). Mas por tretas fora do âmbito musical (não vou entrar nesse mérito), o festival miou em 2003.

Voltando ao meu ovo, ops, ao omelete... numa tentativa de “evoluir”, resolveram escolher meia dúzia de “destaques” no cenário, arrumaram uma bela grana com a prefeitura de Vitória e resolveram viajar. Se você mora em Vitória, saiba que pagou pra essa galera “levar a música capixaba” pro Rio, Sampa e Curitiba. Está feliz?
O que ainda não consegui descobrir foi o impacto disso tudo por onde passaram. Sim, procurei no deus Google alguma menção desta empreitada na imprensa de fora. Uma nota de divulgação no Guia Folha Online, no site da MTV e em alguns blogs, (coisa que até você consegue). Nada relevante, comparado ao fuzuê causado pela imprensa dominante local.

Tou aqui falando esse monte, mas de forma alguma minha intenção é desmerecer os músicos sortudos, que viajaram na faixa pra tocar por aí. Alguns, odeio com todas as forças. Outros, simplesmente não me interessam. Mas esse povo não é bobo. Chamaram o André Paste, único talento promissor no meio. Este sim, está bem cotado nas publicações especializadas e pode de fato, se dar bem fora daqui. Pra quem se interessa por mashup, o guri manda muito bem. Mas não precisa dessa papagaiada toda. E nem pode salvar a pátria.

Sei que essa ladainha toda não vai chegar a lugar algum. Só acho tão estranho que, num lugar tão pequeno como Vitória, onde todo mundo se conhece, alguns poucos se coloquem como “formadores de opinião” digam quem é artista e quem não é. É, no mínimo, ridículo ver toda essa tentativa em se estabelecer um mainstream, já que qualquer um desses “popstars” são encontrados facilmente pela Rua da Lama e pela UFES.

Soma-se a isto, a contribuição da imprensa dominante local. Festejam uma suposta turnê européia de um grupo, quando sabemos perfeitamente que esse grupo ficou na casa de amigos e tocou na rua. Isso lhe parece maistream?

Esse ufanismo não é novidade no ES. Alguns que realmente conseguem destaque fora do estado (por fazerem o som da moda), são tratados como verdadeiras celebridades. Os que têm sobrenome e poder, também. Só que este segundo grupo ainda não percebeu que nunca vai chegar a lugar algum. Qual é o problema dessa gente, meu Jah?

Enquanto isso, no nosso mundinho underground, uma banda capixaba foi a escolhida para representar o Brasil no Waken Open Air, maior festival de Metal do mundo, na Alemanha.

Saiu na Gazeta?

13 comentários:

Artur disse...

Sou seu fã...
Tem que botar esse post no jornal, mandar pra tribuna (pra fazer richa... hehehe), sei la!

O lance do SMD não ter saído na gazeta só prova que a panela no ES é imensa, pois isso foi uma das coisas mais foda, ultimamente, no estado, junto com as turnês européias do Zé Maria e o sempre bem falado pelo Brasil Mukeka di Rato.

Vamo pular na panela?!?!
oO

Sabrina disse...

Bom, tô por foríssima dessa história toda aí, mas boto fé no que o colega acima disse: esse tipo e coisa tem que ser mais e melhor divulgada, especialmente se o autor for alguém que conhece bem o cenário musical capixaba (quando não nele, com ele), como tu, baby.
É isso...tô por aqui agora, hein. Beijãozão.

Agatha disse...

Acho que saiu uma nota, que eu me lembre, ashduahsd. Enfim, eu adorei sua forma de crítica bem sua; bem feroz, sem descer do salto. Acho que vc tem muita propriedade p falar sobre, afinal vc é uma profissional da área. Concordo sim com oq vc disse. Tudo muito cheio de mutreta; parece-me um bando de PSEUDO-cult's. Acho que tem muita coisa aqui para ser valorizado. Não estou desmerecendo as bandas, apesar dos pesares. Mas é como vc disse, pq uma coisa é posta num pedestal e outras não? Metal, heavy, hard rock, seja lá oq for, não é música? Não é arte? Uma outra forma de expressão.
Tá aí. O provincianismo capixaba reina.

Demorô... Partiu! disse...

Tuzz,
Mukeka e Zé Maria são as pouquíssimas exceções na panela. E não dependeram dessa imprensa ufanista local, pra chegar onde chegaram.

Não sou blasê disse...

Nossa! Então, apesar do fuzuê dos meios de comunicação locais (que piada!), existe sim pessoas que acham estranhíssimo essa dita "cena cultural capixaba". Graças a Jah!

O pior disso tudo é que se mata qualquer possibilidade incentivo positivo à verdadeira cultura capixaba, que alias, eu não sei qual é ao certo.

Mas ela existe, em algum lugar (eu acho). Só não está dentro da esfera de interesse desses "formadores e agitadores culturais" (aff!!!). Sabe o que é foda? Me parece que muitas dessas pessoas, sem retornos financeiros a altura de seus egos (e nem proporcionais ao talento/trabalho de cada um), descobriam que a galinha dos ovos de ouro é apresentar um projeto de merda qualquer pro governo bancar.

E sempre dá certo, porque tanto os governos municipais e estaduais não tem a menor idéia do que seja cultura ou identidade cultural.

Aí fica essa merda toda. E bem fedida! Todos nós pagando para espalhar aos quatro ventos toda vergonha capixaba.

VitorLopes disse...

O Waken Open Air saiu, sim, na Gazeta, mais especificamente no Caderno 2.
=)
E duas vezes, se ñ me engano.

Kid disse...

Olha pessoal, tem anos que acompanho essa cena (de longe é claro) e são sempre as mesmas pessoas!!! Pergunte até onde eles foram além de roubar dinheiro da lei Rubem Braga? Manimal? Rockongo? Rock Fofo? Essa tal de Crivo eu vi bem de perto e é de arrepiar a história e a "forçação" de barra delas. Lembro da cena que elas levaram o cd no show do Pato Fu e ficaram gritando pra jogar um CD pra Fernanda... Elas jogaram e a o CD ficou no chão até o final do show... O Pato Fu foi embora e só podia ver no final a Tati Wuo pegando de volta o CD todo pisado...ahuahau. Se fode ae!!! Fecharam a panela mas esqueceram de tirar a merda de dentro!!!

JOE.ZEE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
JOE.ZEE disse...

falei algumas coisas mas não vale a pena.

só digo uma coisa: esse papo de panela não! pelamor vira o disco.

ou vá fazer um projeto para outro festival. isso sim seria legal.

besos ;]

Elfa disse...

Esse papo de "Panela Capixaba" é antigo e seu conteúdo sempre fedeu. Agora vem uma Omelete feita com ovos podres. Uma boa parte do pessoal dessa 'panelinha podre' está na Rede Gazeta, acho que isso explica muita coisa.
Claro que no meio de tanta maçã podre podemos encontrar algumas, poucas, que prestam.

Nunca suportei ver pessoas/bandas sem talento sendo destaque nos maiores veículos de comunicação, isso também vale a nível nacional. Uma "conquista" sem mérito.

Eventos ditos culturais que privilegiam uma minoria. É o circo cultural capixaba. Uma vergonha.

Muita coisa boa rola no meio 'underground'. Não há reconhecimento pela mídia, e quanto ocorre, é sempre algo muito superficial. E o que é bom permanece no underground. O problema é que até lá tem panelinhas (sempre odiei panelas) e isso enfraquece a cena.

É phoda. =/

t+
bjs.

Leonardo Machado disse...

Alguém num comentário aí pra cima definiu bem a parada, Thati: a galinha dos ovos de ouro são os projetos pro governo bancar.
No meio de toda a parafernália burocrática tem uma galera que "pega a manha" e se especializa na área. Aí fudeu pq os orçamentos governamentais TÊM que gastar "x" dinheiros por ano com "cultura".
Tenta pegar a manha de fazer os projetos? *.*
ahiheauieuiaehaiheiaiheai
detesto politiquice.
Beijo, belo texto.

Tezora disse...

É minha amiga!

Antimofo disse...

Concordo e discordo. O assunto é mais complexo do que essas poucas linhas poderiam descrever.
O que importa é que há opinião nesse blog e isso falta aqui nessa cidade, que é uma "chapa branca" sem fim. Um é amigo do outro e não tem coragem pra levantar o podre.